11.08.2008

LADRILHOS DE UM TEMPO ADORMECIDO
















Por lá...
Onde o tempo estagnou,
Onde a tinta do céu não se pode caiar,
Onde o azul do mar não se pode domar,
Onde o outro mundo e este são meros desconhecidos
Andam gentes no seu vagar
Sentadas à beira mar, contemplando o horizonte
Na esperança vã, que surja uma outra realidade.
Uma ancora, para se agarrarem.

Lá longe,
Onde se partilha o cântico do silêncio,
Onde as nuvens pairam sobre as ruas desertas,
Onde a vida circula a passo lento
Irrompe um Capote negro e disforme
Num súbito momento,
Que se atordoa com o basalto das calçadas.

Lá,
Encontram-se os moinhos de vento,
As saudades que se renovam a cada instante,
As lembranças de sempre
E a paleta cromática que surge a cada novo amanhecer.
Lá longe,
Encontro o que não posso ter aqui,
Tomo o tempo adormecido
E palmilho os ladrilhos da vida.


Por aqui,
Onde a tinta do céu não se pode caiar,
Onde o azul do mar não se pode domar,
Encontram-se campos bordados a hortenses,
Avistam-se Moinhos de silêncio,
Retalhos de bruma e de espuma
Que se condensam numa palete cromática
Num tempo fora de tempo.

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